domingo, 19 de janeiro de 2014

Redes Sociais - Privacidade vs Transparência


Ao ver e ouvir hoje, na CNN, o presidente Obama anunciar que deu instruções precisas para que os procedimentos de espionagem americanos sejam modificados, fiquei ainda com mais dúvidas do que as que já possuía.
Isto só por um simples facto: ele não precisou, quem e como esses novos procedimentos iam ser controlados. (por cá como sabem passa-se o mesmo. A PJ escuta quem lhe dá na gana sem ser sujeita a qualquer controle. O governo através do cruzamento dos gastos dos cidadãos pode facilmente saber onde e quanto o cidadão deve,  gastou e por aí fora…)
Curiosamente é o próprio Obama a reconhecer a utilidade geral e especifica  na recolha de elementos e dados através da espionagem, (alegadamente quanto a acções terroristas, excluindo escutas a países aliados...) concluindo que é licito faze-lo na exacta medida em que os outros países também o fazem, (sem citar quais) enfatizando porém, que não tem culpa que o seu sistema seja mais proficiente…
Vivemos hoje factualmente com uma dificuldade enorme em encontrar conceitos globais para aplicação de normas equilibradas tendo em vista resolver os evidentes conflitos entre a privacidade e a  falta de transparência nos meios utilizados na espionagem, bem como a forma de a poder  controlar.
Como cidadãos, sentimo-nos invariavelmente revoltados, preocupados e inseguros pelas acções de espionagem em geral, indefesos para a ultrapassar com eficácia.
Evocando o mais recente e badalado caso, o da NSA, bem como todos os clamores levantados ─ politicos e publicos em geral ─ com origem nas confissões e divulgações do dissidente Edward Snowden, a NSA continua, intencionalmente, a carregar dados da nossa informação pessoal tornada acessível pelo Facebook, Google, Twitter e similares.
Obama não terá sido tão explicito hoje, mas pelo que disse, (e sobretudo pelo que não disse) torna-se perfeitamente implícito que assim é.
Não obstante destes factos, a recorrência continuada na utilização das redes sociais continua…serenamente, sem a percepção, pelo cidadão comum, do perigo real a que se está a submeter.
A persistência autista na utilização destas redes sociais, permite, diariamente, o acesso ilimitado e indiscriminado à informação privava (que deveria ser...) de cada utilizador. Segundo revelação recente, este tipo de espionagem electrónica, já é possível mesmo a computadores que não estejam ligados à internet. Está em sistema, experimental ainda, deverá, em breve, alargar as sua capacidades operacionais.
Não se trata de recolha de dados com arquivo de caracter evanescente. Essas recolhas  ficam retidas  em arquivo definitivo, em bases de dados gigantescas, sempre acessíveis, a qualquer momento.
Não desejando anatematizar estas redes, nem tão pouco os seus actuais confessos e inveterados utilizadores, julgo que será importante explorar e alertar para a natureza contraditória das suas acções e crenças, relativamente à privacidade e à transparência.
Para isso, há que analisar, com honestidade intelectual, as queixas que amigos, família e público em geral, emitem amiúde, sobre “atentados à privacidade” as quais, após análise séria e ponderada se configuram como contraditórias.
Julgo que esta tipologia de reacções é inerente ao Ser Humano…
Deseja-se e reclama-se por privacidade, desejando-se também ao mesmo tempo, partilhar detalhes das Suas vidas, estados de alma ou vivências, partilhando-as com outros.
Não tenho dúvidas de que, por vezes, estas duas pretensões estão em perfeito conflito, completamente insanável.
Os actuais utilizadores do Facebook, Google, Twitter e similares, sabem que tenho razão, pois são Mundos Globais sem o controlo dos intervenientes, para além da aposição/inserção de textos em forma de mensagens ou respostas/comentários. O que lá se coloca é lido por quem o procure ou não, tornando-se acessível a um número incontrolável de indivíduos e entidades, umas bem intencionadas, outras possivelmente, com fins maliciosos. Adicionalmente, e dentro do campo malicioso, poderão ainda ser introduzidas componentes de espionagem nos PC’s ou pior ainda, Malware pernicioso, afectando por vezes todo o bom funcionamento do PC incluindo limpeza total de dados do mesmo.
Por isso, desisti faz tempo, dessas redes socias, que me impunham receber, sem o solicitar, mensagens proveniente de uma massa incógnita e cinzenta de cidadãos, amorfos ou agressivos, indecisos ou com literacia civilizacional duvidosa ou nula, passando a utilizar outras formas comunicacionais para divulgar o que penso e sinto, de forma mais controlada, ou pelo menos, por forma que possa mais transparentemente identificar, quem o lê, ouve ou comenta.
É certamente um processo mais restritivo e com menor resultado mediático, não aconselhável portanto para quem procura as luzes feéricas dos palcos cibernéticos, ou simplesmente ultrapassar estados de solidão aguda. Mas, indubitavelmente, tem duas vantagens: ser eu a decidir e seleccionar a quem endereçar o que penso, ou a um público-alvo indiscriminado, o qual desejo, intencionalmente provocar.(que não obstante não reagir frontalmente, sei onde se encontra)
Estou obviamente a referir-me aos meios que me permitem o envio e recepção de mensagens de correio electrónico e a utilização do espaço da blogosfera. Estes não estarão isentos de controlo e espionagem externa, mas ao situarem-se num meio muito mais restrito, são passíveis de detecção e identificação mais fácil. Existem hoje ferramentas que detectam espectros anti-spy-ware bastante eficazes, que, utilizados regularmente, identificam a origem,  despistam e eliminam ataques deste tipo.
A tecnologia está hoje em mutação acelerada, a uma velocidade tal, que acredito em prazo mediato, seremos confrontados com novas formas de comunicação; mais rápidas e mais intrusivas, mais globais ainda do que as presentes, mas teremos, tal como presentemente, de estar atentos e seleccionar as que nos garantam melhor salvaguarda à nossa privacidade.
Adicionalmente, devemos contribuir activa e construtivamente para que sejam criadas entidades ou instituições independentes (dos poderes políticos e financeiros) suficientemente credíveis que nos defendam e salvaguardem eficazmente deste tipo de ataques e intrusões..
Para isso, temos de ser menos permissivos, mais atentos, interventivos, selectivos e, sobretudo, intransigentes com as nossas escolhas.
À distância de meio século, atentemos no que Norbert Wiener, o pai da cibernética, disse:  Progresso impõe não apenas novas possibilidades para o futuro, mas novas restrições. ou ainda: “A mudança para melhor só tem início quando se enxerga, com clareza, a próxima etapa


José Ferreira
17-01-2014




quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A saúde, em Portugal, mata que se farta...



Saúde - diagnósticos complementares?
Há que morrer primeiro para provar que não existem…atempadamente.

Pegando num assunto que está na ordem do dia (de facto desde há muito, embora com mais acuidade durante os últimos dois anos) e a propósito de:

1.       A demora na marcação de consultas, testes complementares de saúde, intervenções cirúrgicas, com especial relevância em especialidades.

2.       A evidente falta de meios que alguns hospitais e centros de saúde enfrentam

3.       A declarada cruzada do governo actual em reduzir as despesas na área da saúde (entre outras igualmente essenciais)

4.       O evidente envelhecimento da população e concomitante aumento de risco à doença em geral

5.       A comprovada insuficiência financeira da maioria dos reformados para suportarem os recorrentes aumentos de custos com a saúde (entre outros)

6.       A declarada e executada politica deste governo em não pagar aos centros de diagnóstico o valor adequado aos custos, nomeadamente no campo das especialidades de maior complexidade e/ou requerendo equipamentos de elevado custo

Ocorreu-me questionar, por oposição às propaladas economias nesta área, outros diferentes custos de estrutura do Estado, tais como:

1.       Os salários dos governantes, desde o do primeiro ministro ao do mais modesto colaborador, por ministério, bem como deputados, funcionários da AR e salários das estruturas partidocráticas das EPP e IPP incluindo camaras municipais.

2.       Comparar, desde o início de funções até hoje, quais os níveis de redução desses salários

3.       Efectuar o levantamento das reduções em despesas primárias do estado e despesas de capital, incluindo frotas automóvel e assessorias jurídicas

4.       Comparar esses níveis com os que têm sido aplicados a:

a.       Reduções implantadas ás pensões de reforma

b.       Reduções de comparticipação nas despesas de saúde

c.        Redução do poder de compra dos cidadãos por aumento dos serviços essenciais, tais como água, energia eléctrica, gás e  transportes

5.       Fazer o balanço final, com soma de todas as rúbricas.

6.       Tenho poucas dúvidas que o balanço será a favor dos cortes sobre as condições de vida (e morte) dos cidadãos. 

Como cidadão na casa dos 70 anos, sinto todos os dias, cada vez mais, que esta política contém virulência suficiente para reduzir drasticamente a longevidade dos cidadãos em geral, sobretudo a dos reformados, prosseguindo, indecorosamente, de forma cínica e autopática, na aplicação de políticas supostamente autistas ─ evidenciando um claro  e  não disfarçado sequer ─ sentimento de desprezo, considerando-nos como descartáveis.

Por isto tudo, vou reforçando aos meus filhos o conselho sentido e ajuizado para que emigrem. 

Este país já não é para velhos, pior… muito menos para jovens.
Nota: O Paulo Macedo será possivelmente dos melhores ministros deste governo. Considero que se tem esforçado por implantar novas regras e procedimentos a saudar. Todavia parece-me estar manietado a números globais de difícil prossecução, isto para além da resistência recorrente dos interesses corporativos instalados.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

COINCIDÊNCIAS?



“Quem não se sente não é filho de boa gente”

Repescando o recente apelo de Mário Soares na Aula Magna  à unidade Democrática e a sua advertência à eminente possibilidade da violência ─  proveniente do estado de  miséria e exclusão social a que chegamos  ─ por coincidência, comparemos as palavras, também recentes do Papa Francisco:

"Enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade social, na sociedade e entre vários povos, será impossível erradicar a violência. Acusamos os pobres da violência, mas, sem igualdade de oportunidades, as diferentes formas de agressão e de guerra encontrarão terreno fértil que, tarde ou cedo, provocará a explosão" escreveu o papa na exortação apostólica "Evangelii Gaudium" (A Alegria do Evangelho)

Trata-se de um  documento de 142 páginas, o primeiro do género do seu pontificado, dá orientações sobre a nova evangelização, na sequência da assembleia sinodal de Outubro de 2012, e, num sentido mais lato, apresenta o programa e as ideias pessoais do Papa.

Assim e considerando as interpretações mais ou menos incendiárias de alguns, acusando Mário Soares de incentivar a violência, poderão esses alguns considerar, de igual modo, o Papa com o mesmo sentido?

Se nos abstrairmos de considerar o apelo de Soares à demissão do governo e do presidente da república, substantivamente, o conteúdo apelativo à intervenção e acção política quanto à exclusão social, miséria e indigência, teremos de concordar que ambos tocaram na mesma tecla, por palavras diferentes.

Pela importância do assunto não o poderemos  considerar mera  diferença  semântica. Logo, há que tentar perceber o significado da Honra.

Será, desse modo, possível perceber um dos valores fundamentais do Homem na História, que hoje, infelizmente, são completamente ignorados pelos políticos, continuando a aprofundar-se as desigualdades que provocam os actuais movimentos de descontentamento, reflexos directos da insatisfação e indignação.
     Quadro de Patricia Calabrese


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Whereof one cannot speak, thereof one must be silent.




Assim deveria ser...

Sobre aquilo de que não podemos falar temos de guardar silêncio”  


Pegando nesta assertiva citação de Ludwig Wittgenstein aplicando-a ao que se fala e escreve pelo Mundo fora, poderemos concluir que o grande dilema é conseguir entender e distinguir aquilo que se pode e deve dizer, guardando silêncio de todo o resto.
Reduzamos este pensamento à análise comportamental dos políticos portugueses ─  do governo e oposições ─ e teremos provavelmente uma entropia completa, quer a nível da desorganização quer da imprevisibilidade. 
Atentemos ao que somos compelidos a ler e presenciar diariamente ─ através de politólogos, jornalistas, ilustres membros da partidocracia ou políticos em geral    todos opinando sobre tudo, dando prova de elementares exemplos de disparates, que indecorosa e impunemente se vão proferindo e escrevendo.
Os mais requintados deixam por vezes, de forma deliberada, tudo ininteligível, confuso  enigmático ou com uma vacuidade a roçar o absurdo,  outras vezes por incompetência ou laxismo profissional, não transmitindo o substantivamente essencial, revelando ausência de conhecimento, estudo e preparação técnica adequadas, para poder ser proferido ou escrito inteligivelmente, com clareza de forma acessível à compreensão de todos os cidadãos. As recentes intervenções televisivas, uma sobre Guião da Reforma do Estado, por Paulo Portas e as alegorias filosóficas de José Sócrates sobre a Metafisica dos Costumes de Kant (Fundamentação da Metafisica dos Costumes, presumo...) são disso excelentes exemplos.
Não.
A preferência tem sido e continua a ser a opacidade, a falácia e a falta de rigor quer no discurso, quer na escrita, numa retórica e dialéctica aparentemente disparatadas, profundamente ocas, vagas e corrosivas, com o evidente propósito, consoante a modalidade: discursiva ou criptográfica, de servir finalidades ideologicas inconfessáveis.
Será justo ressalvar que existem, felizmente,  poucas mas certamente importantes e elogiosas excepções.
Somos assim confrontados com a constatação factual de como é difícil, deste modo, mobilizar o cidadão, sobretudo presentemente, quando os comportamentos políticos se têm revelado como agentes redutores e usurpadores do seu bem-estar, da sua saúde física e mental, da sua plena cidadania afinal.
Confesso: começo a sentir, por cansaço, falta de forças para lutar, embora reconheça que guardar silêncio sobre o que vejo e sinto poder vir a ser considerado como um acto pouco louvável.
Embora as minhas condições ópticas continuem a deteriorar-se, tentarei, pelo menos, ir mantendo a força física e mental para continuar a poder intervir, falando do que me rodeia e entendo; por isso, poder falar (e escrever) sem ter de guardar silêncio….